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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Concurso elege 'Miss Prostituta' em Belo Horizonte

Giovana Silva foi eleita a vencedora do concurso. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra Giovana Silva foi eleita a vencedora do concurso


Direto de Belo Horizonte
Cerca de mil pessoas acompanharam, na noite deste sábado, em um shopping popular no centro de Belo Horizonte, o Concurso Miss Prostituta. Doze profissionais do sexo desfilaram por um passarela com a intenção de protestar contra o preconceito e a violência na profissão.
A vencedora, escolhida por um júri formado por representantes da sociedade civil, foi Giovana Silva, que no dia a dia usa o nome de Mara. A garota de 25 anos contou que veio de Vitória, no Espírito Santo, há seis meses e trabalha em um prostíbulo na Rua Guaicurus, tradicional concentração de casas de prostituição no centro da capital mineira.
A organização do evento informou que todas as mulheres participaram de forma voluntária, mas ao final do evento um dos apresentadores anunciou que Mara receberia R$ 3 mil pelo título de Miss Prostituta e um contrato de publicidade válido até o final do ano com o shopping popular. Mara, que disse cobrar R$ 10 por programa, agradeceu dizendo que estava "feliz e que participar do desfile é uma forma de chamar a atenção para a situação delas, tentando fazer com que o preconceito diminua", afirmou.
A presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais, Cida Vieira, puxou a fila das mulheres que desfilou. Cida é uma das criadoras do evento e disse que espera, com a ideia, levantar a discussão sobre a regulamentação "de fato" da profissão: "Minas Gerais tem 80 mil prostitutas Queremos a legalização para ter direito ao direito, ou seja, acesso ao que as outras profissões têm. Temos no Ministério do Trabalho o registro da ocupação, mas é só", afirmou.
"Queremos reclamar, com esse desfile, de tudo que a prostituta passa no dia a dia: tortura psicológica, violência. Queremos pisar na passarela como se estivéssemos pisando no preconceito. Não queremos mais ser invisíveis" concluiu.

Chuva e acidentes provocam caos no trânsito de Belo Horizonte

A manhã chuvosa desta quarta-feira é marcada por lentidão e acidentes pelas principais vias de Belo Horizonte. Os congestionamentos se estendem pelas avenidas Cristiano Machado, Amazonas, Pedro II, Afonso Pena. Também há reflexos no Túnel e no Complexo da Lagoinha, na saída da Avenida Antônio Carlos.

De acordo com a BHTrans, um acidente em frente ao Colégio Salesiano, no sentido Centro/Bairro, deixa o trânsito lento na Avenida Amazonas. Dois veículos também bateram no Túnel da Lagoinha, onde os veículos enfrentam congestionamento em direção ao Centro de BH. O acidente causa reflexos na altura do Bairro Cidade Nova.

Outro acidente na mesma via, porém em direção a Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, causou retenção. Por causa da batida, envolvendo um caminhão, houve vazamento de combustível na avenida. Técnicos da BHTrans estiveram no local e tiveram de jogar serragem na pista para evitar novas ocorrências. A via chegou a ficar fechada para a retirada do veículo acidentado.

Na Avenida Cristiano Machado, no sentido Bairro / Centro, o congestionamento se estende por toda a via, desde a saída da MG-010. Por volta das 6h, um carro que seguia em direção ao Centro bateu na grade de proteção do canteiro central da avenida na altura da Faminas. As situações mais críticas estão entre a Estação Floramar e o Bairro Guimarães. Também há retenção entre a Avenida José Cândido e o Túnel. Em nenhuma das ocorrências, a BHTrans informou se houve vítimas.

Belo Horizonte convoca "seleção" para promover imagem da cidade no Mundial

governo do estado e a prefeitura de Belo Horizonte convocaram uma seleção de 11 personalidades do esporte para promover a imagem da capital mineira e atrair turistas para a Copa do Mundo.
 (Carlos Alberto / Imprensa MG)

Todos os escolhidos são diretamente ligados ao esporte: Dadá Maravilha, Éder Aleixo, Gilberto Silva, Julio Baptista, Luizinho, Nelinho, Paulo Isidoro, Piazza, Reinaldo, Ronaldinho Gaúcho e Sorín.

Em evento realizado no Mineirão nesta quarta-feira, o governador, Antonio Anastasia, discursou sobre a importância de atrelar o município a figuras reconhecidas mundialmente.

“[Queremos] fazer da capital do nosso estado o melhor local do Brasil para a Copa do Mundo 2014. Isso significa, é claro, potencializar as oportunidades que aqui temos, nossa gastronomia, a hospitalidade e a cordialidade do mineiro, tudo aquilo que nos faz um estado especial. A função dos embaixadores será essa”, afirmou Anastasia.

“Iremos aproveitar essa chance ímpar para expandir a identidade cultural belo-horizontina em suas múltiplas facetas, com parcerias, investimentos e, claro, o jeito mineiro de ser, ao acolher e tratar com hospitalidade o turista”, disse o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda.

A iniciativa também visa atrair eventos e negócios para o estado.

“Vamos convidar as pessoas da França, Espanha, Itália, Alemanha, lugares onde eu tive a oportunidade de jogar, para conhecer este lugar especial que escolhi para viver”, disse Sorin.



Mesmo morando em BH há pouco tempo, Ronaldinho Gaúcho se diz honrado por ser um dos "embaixadores" da capital mineira. “Estou muito à vontade. É pouco tempo que estou aqui e é até difícil explicar o respeito e o carinho que estou recebendo desde que cheguei. Estou muito feliz e me sentindo cada vez mais mineiro”, afirmou o craque do Atlético.

O título de embaixador da Copa do Mundo será permanente, conforme anunciou Marcio Lacerda durante o evento no Mineirão. “Em pesquisa à legislação constatei que é viável instituir isso. Inclusive, estamos fazendo esse acordo com os embaixadores da Copa e iremos confirmá-los o mais rápido possível como embaixadores permanentes de Belo Horizonte”, contou.

No final da cerimônia, a banda 14 Bis apresentou uma canção composta por Cláudio Venturini e Márcio Borges para reforçar a imagem de BH com o futebol.

Minas Gerais já recebeu a visita de 19 seleções (Austrália, Irã, Grécia, Rússia, Suíça, Coréia do Sul, Noruega, Itália, Portugal, México, Japão, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Chile e Espanha). A Argentina já confirmou que fará a preparação  para a Copa em BH.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Forma inusitada de vender revistinhas em quadrinho no trânsito de Belo Horizonte



Lacarmélio em uma rua de BH (Foto: Bruno Sena)
Lacarmélio em uma rua de BH (Foto: Bruno Sena)
O silêncio da noite é interrompido pelas sirenes policiais que soam distante. Nem sempre é possível saber o que movimenta a noite em Belo Horizonte. A única certeza é a de que, independentemente da circunstância, a cidade pode dormir tranquila. Afinal, o super-herói dos quase três milhões de moradores da capital está sempre pronto para nos defender. Seu nome é Celton. Ele já foi cientista e até se chamou Homem-Felino. Mas, hoje, o protagonista das grandes missões na metrópole de "Bêlo City" é um mecânico cujos poderes, impressionante força física e velocidade acima do normal, ficam em segundo plano. Diferente dos heróis comuns, Celton evita confusões e, com toda a cordialidade que sua origem mineira lhe proporciona, procura sempre as melhores soluções para os problemas que atormentam os seus protegidos.
Celton também é Lacarmélio. Seu uniforme extravagante, na maioria das vezes um terno amarelo, chama a atenção de todos que conseguem flagrá-lo no trânsito engarrafado. O bravo guerreiro está sempre com sua bandeira empunhada. Nos dizeres do estandarte, letras garrafais anunciam sua causa: “Estou vendendo as revistinhas que eu mesmo fiz. R$ 2,00”. E, assim, criador e criatura confundem a própria história. Ou seria estória?
Aos seis anos de idade, o menino nascido em Inhapim, região leste de Minas, já dava sinais de sua paixão pelas histórias em quadrinhos. Morava em Itabirinha de Mantena quando a família decidiu se mudar para a capital. Aos 13 anos já trabalhava como vendedor de mexerica. Foi ainda engraxate e, aos poucos, despertava o dom de conquistar os clientes nas ruas – entre um sapato lustrado e outro, o adolescente apresentava um personagem criado por ele mesmo. Os desenhos ganhavam mais sentido e expressão a cada roteiro produzido. Até que chegou o momento em que Lacarmélio sentiu que estava na hora de dar mais visibilidade ao seu herói.
Nenhuma editora quis apostar nas aventuras de Celton, nem mesmo em São Paulo. Certo de que poderia emplacar suas histórias, tentou a produção independente e convenceu a mãe a pegar um empréstimo no banco para financiar seu sonho. No entanto, as vendas da publicação nas bancas da cidade não foram suficientes. Foi quando resolveu investir naquele talento despertado lá na adolescência e passou, ele mesmo, a vender suas produções. Mas dividir essa jornada com o trabalho nas gráficas, foi a Kriptonita(Superman) do persistente sonhador. E ele deixou o País, em direção aos Estados Unidos, a terra da livre iniciativa.


Os seis meses em Nova Iorque foram longos, mas determinantes para a mudança que ocorreria na trajetória desse brasileiro. “Certo dia, parei numa banca de revistas e vi vários heróis nos quadrinhos. Cada um deles representava, de certa forma, o lugar onde morava. E pensei: quem representa minha cidade, meu país?”. Quando voltou ao Brasil, trouxe na bagagem a ideia de lançar seu trabalho no cenário da linda Belo Horizonte. Celton então ganhou mais que uma causa, conquistou leitores. Resultado de um imenso levantamento sobre a região metropolitana, o herói brasileiro se tornou um típico belo-horizontino. Seus surpreendentes desafios se passavam agora na Avenida Afonso Pena, Praça Sete, Mineirão, etc. Quem comprava a revista levava, também, um pouco da história da cidade com suas peculiaridades e folclores. Até mesmo lendas urbanas, como "Loira do Bonfim" e "Capeta do Vilarinho", ficaram ainda mais atraentes para o imaginário público depois que receberam os traços de Lacarmélio e a participação de Celton. Há quem pense até que assim surgiram essas estórias. O fato é que o suspense em torno delas na capital mineira gera burburinhos, que sobrevivem há muitas gerações.
Bendita Sogra

Capa da revista mais vendida "A Sogra Maldita"
Quem desenha, escreve, produz e vende a revistinha mais famosa de BH é o próprio autor, Lacarmélio Alfêo de Araújo. A cada dois meses, uma tiragem de 20 mil exemplares sai da gráfica para ser vendida integralmente nas ruas, mais precisamente, nas filas de carros presos em engarrafamentos dos diferentes cantos da cidade. Motoristas de táxi, de ônibus ou de carros particulares, motociclistas, pedestres, passageiroseguardas, todos são clientes da “loja” de Lacarmélio, chamada Trânsito Lento. Algumas edições logicamente fazem mais sucesso que outras. E, por isso, são publicadas novamente.  Um roteiro de HQ que narra acontecimentos envolvendo uma sogra, há muito tempo guardado na gaveta, deixou o herói mineiro impressionado. "Eu sempre quis publicar essa revistinha, mas minha mulher, Cássia, discordava. Achava que seria um fracasso uma edição que chamasse "A Sogra Maldita". Mas resolvi arriscar e, no primeiro dia, voltei pra casa com mil reais no bolso. Cássia teve que reconhecer que eu havia acertado", conta.
O contato direto com o público, as opiniões que ouve e as reações das pessoas nas ruas ajudam no desenvolvimento das aventuras. Tantas outras foram criadas quando o tema de sucesso voltou. Dessa vez,era "O Combate da Sogra com o Capeta", que ultrapassou 45 mil exemplares vendidos. Essa publicação não teve a interferência da esposa, que é quem administra a renda da família. Os cálculos feitos pela mãe do pequeno Pedro ajudaram o marido a fazer do sonho mais que um complemento financeiro – graças às revistinhas vendidas no trânsito a família vive hoje em um confortável apartamento próprio.